sábado, 17 de julho de 2010

"Matando Gigantes"



É assim que me sinto. É assim como me senti, e é assim como sempre será.
Eu amo jogos. Esta é uma característica que carrego desde pequeno e que amadureceu com o passar dos anos, numa linha que se estende desde quando ganhei meu primeiro console, um Master System, até dias mais recentes ao sentar-me para me divertir em frente ao Playstation 3 e Nintendo Wii. Durante todos esses anos, tive alguns aparelhos nos quais aproveitei os mais diversos jogos; mas isso é detalhe para um outro momento. Nesse texto, citarei apenas um jogo e algo que aprendi observando-o de perto.

Há muito tempo conheci Shadow of the Colossus. Não é um título que eu tenha jogado muitas vezes; muito embora, seja de meu desejo destrinchar cada detalhe quando o tempo permitir. Na história um homem, para ressuscitar uma mulher, se envolve em batalhas épicas munido apenas de uma espada e um arco e flecha. Acompanhado por seu cavalo, Agro, ele viaja se inserindo em batalhas contra criaturas do tamanho de arranha-céus, os chamados Colossus (que são 16 ao todo).
O final, como se pode imaginar, não é dos mais felizes. Ainda assim, ele consegue derrotar todas as criaturas sem exceção e atinge seu objetivo - ao menos, um deles.

Esse é um jogo me faz pensar. Só quem já derrotou vários "Colossos" por alguém, sabe qual é o significado de matar gigantes nesta obra. As vezes, tudo o que queremos é ver uma pessoa bem, para muitos - incluindo eu - alguém da família, uma parceira ou um amigo que tenhamos encontrado por aí, com o passar dos anos.
E são muitas as questões.
Em tantos momentos, nossas batalhas são margeadas por um instinto de luta, no estar com tão pouco e tentar fazer tanto, é algo que não escolhemos mas temos a quase (ou total) obrigação de fazer; em suma, é como se os desafios nos escolhessem. E os gigantes? Bem, esses são os mais diversos.

Ser uma boa mãe, bom pai, bom irmão.
Conseguir aquele emprego melhor, ou uma promoção.
Ter mais atitude com aquela pessoa que queremos tanto.
Poder ter a liberdade de andar por aí; mas sem ter de vagar perdido pelos cantos.

Os gigantes que matamos vem desde pequenos, quando pouco enxergamos, mas temos de lidar com tudo a nossa volta. E tudo, adivinhe... é imenso. Mais tarde as pressões da escola, o primeiro beijo que custa a chegar, a primeira noite que as vezes pode ser mais rápida do que imaginamos, e para muitos, o demorar de uma eternidade.
Lutamos sem parar. Até mesmo em sonhos.
Quem é que nunca tentou voar e acordou justamente quando os pés deixavam o chão? E em planos reais, quem nunca quis dar um soco na cara da morte, ou sentar e entendê-la só para sentir-se melhor.

Shadow of the Colossus é uma obra grandiosa, assim como um filme em que majestosamente ele figura, uma obra vista com azedume pela crítica chamada de "especializada". O nome do filme? "Reine Sobre Mim", película densa e que fora julgada, infelizmente, de forma falha por muitas pessoas. Mas, resta ao menos o benefício da dúvida: quem pode ser especialista em julgar algo que é, desde o seu início, feito para lidar com o sentimento? O sentimento é algo que só se sabe a medida real, no peito em que se origina; qualquer tentativa de medi-lo não passa de pura especulação, ou boa vontade. Mas isso não cabe a mim inserir-me agora em tais vias; ainda direi sobre esse filme posteriormente. Bastando saber que é tocante desde o momento em que um dos personagens principais é descoberto na rua por um antigo amigo de faculdade, até o ponto onde este amigo, levado pela mais profunda empatia, o ajuda a resolver questões que parecem nada mais nada menos que indecifráveis. Com o perdão de um pequeno "spoiler", devo dizer que ao contrário do tom de despedida que permeia sua trajetória, o filme trás uma agridoce solução - ainda que tardia - e mostra que mesmo nas mais profundas perdas, há sempre um caminho que se abre. Novamente aí, traça-se um paralelo com "Shadow of the Colossus".

E é assim observando e dissertando sobre duas obras de caráter emocional e, porque não, sobre a vida, que abro este blog; apenas matando o tempo... e enfrentando gigantes.

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